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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Eis que decidi escrever um livro sobre as Mercenárias

Foto: Rui Mendes

31 de outubro de 2019. Peguei minha câmera e subi em um ônibus em direção ao bairro da Pompeia. Há um ano atrás, na Semana Internacional de Música, conversei com Pedro de Luna à respeito do meu projeto, uma biografia das Mercenárias. Ele, que estava lançando uma biografia do Planet Hemp, não curtiu muito. “Você deveria fazer algo voltado ao punk feito por mulheres”, ele dissera. Fui teimoso, aqui estou eu apostando as fichas nas Mercenárias. Mas de uma coisa ele estava certo, a partir de um certo momento, sempre haverá, pelo menos uma vez ao dia, algum pensamento em relação ao livro, de vez em quando logo ao acordar.

Ainda há coisas para trabalhar, melhorar, mas, por vezes, vejo que a coisa tem ficado com uma qualidade considerável. Algumas entrevistas estão por fazer (provavelmente termino tudo até o ano que vem) mas já temos uma narrativa. A ideia é contar a vida da banda entre 1982 e 1988, mas penso seriamente em estender e falar sobre a volta do grupo, em 2005.

Este é o meu projeto de Trabalho de Conclusão de Curso, mas que encaro como algo além. Como o prazo acadêmico é curto, apresentarei tal projeto agora, em dezembro, na Faculdade Paulus de Comunicação. Porém o livro, completo, termino mesmo no ano que vem. No momento é a coisa mais importante que estou fazendo no quesito profissional.Que baita atrevimento, um garoto que praticamente nem saiu da faculdade pegando firme em uma coisa de tal tamanho. E a história é maior do que eu pensava.

Mercenárias na Fundação Getúlio Vargas/ Foto: Rui Mendes


"Lucas Lima agora recupera neste livro o período mágico de vida das Mercenárias. Foram pouco mais de meia década com o recheio de loucas histórias que ele foi fuçar entrevistando as ex-integrantes e testemunhas sobreviventes daquela época. Tem tráfico de drogas, suicídio, transexualidade, ligações com o mundo da moda, falta de comunicação interna, as origens nos corredores do curso de Comunicação da USP. Coisas que explicam muitas dúvidas de fãs angariados na década de 1980. Uma trajetória incrível que contextualiza uma das maiores bandas alternativas de nosso país", disse o amigo e pesquisador Abonico Smith, que me ajudou no processo de pesquisa e leu boa parte do livro.

Enfim, cheguei ao Sesc Pompeia. Palco clássico de grandes shows das meninas e do punk rock paulistano. Aqui estão elas novamente, no dia das bruxas, em um calor fervilhante e nada delicioso. É certo que Sandra Coutinho é a única fundadora que ainda está no grupo. Ao seu lado, Silvia Tape (guitarra), Mari Crestani (guitarra) e Michelle Abú (bateria). Mas a aura ainda é forte.

Antes das Mercenárias, outra banda entrou em campo, Charlotte Matou Um Cara, só com mulheres na formação. Punk de rasgar os ouvidos. Em certo momento do show a vocalista diz: “Tudo começou porque vimos um show das Mercenárias. A ideia veio daí”. Quantas bandas não devem ter sido criadas por conta dessas garotas ensandecidas? Outro dia achei no YouTube um vídeo da banda Vício, tocando a música “Imagem”. A cantora Sammliz já disse que na adolescência começou cantando as músicas da banda paulistana.

Sandra Coutinho em show das Mercenárias no Sesc Pompeia/ Foto: Lucas Lima

Bem, a importância das Mercenárias é realmente inquestionável. 22h50 da noite de quinta-feira. Sandra e as novas bruxas, ou, então, mulheres-liliths, invadem o palco do Sesc Pompeia. Na plateia, inúmeras pessoas com camisetas da banda. Uma delas diz: “Vamos Sandra” “Vamos”, responde a vocalista. Coloca os braços para frente como em um exercício de meditação e dá a partida em seu contra-baixo. A faixa que abre a apresentação é “Mudança”, uma nova canção, ainda não gravada. Ao pé da letra, tudo muda e isto é constante. As Mercenárias seguem mudando,seja sua identidade, sonoridade ou mesmo mudando as pessoas ao seu redor. As devidas mudanças ditam que a história continua sendo escrita e, não, não termina aqui.

Em breve, "Somos Sucesso: A Biografia das Mercenárias" ganhará vida.

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