Cartas nunca enviadas viram músicas na voz de Joana Castanheira

Foto: Ana Carol

Cantora e compositora que teve repercussão por sua passagem no The Voice Brasil, Joana Castanheira colocou nas canções de seu primeiro EP, "Para", cartas que jamais chegaram a seus destinatários, isto porque sequer foram enviadas. No total, são sete canções, baseadas em sonoridades calmas com enfoque na voz e violão.

“Essas músicas são sobre as cartas que eu escrevi e nunca enviei. Hoje eu tomo coragem de enviá-las ao mundo, tomo coragem pra dizer todas as coisas que precisavam ser ditas”, reflete a cantora.

A construção das letras e sonoridades foram feitas de forma colaborativa, embora o trabalho de Joana soe o mais intimista e pessoal possível. Com Aparecido da Silva, ela compôs “Para, Por Favor”. Com Rita e Pedro Altério, divide “Para Nós”. Ele é, também, da banda 5 a Seco e responsável por gravação, produção musical e edição do EP. Em “Para Cledir”, se uniu a Vitor Conor. “To Eleanor”, finalizou uma canção iniciada pela amiga Ana Vilela, autora do sucesso “Trem Bala”. Já “Para Mim” e “Para (Des)conhecido”, Joana assina letra e música.

Joana tem sido considerada aposta da Música Popular Brasileira, em especial por sua participação no The Voice Brasil 2016. Catarinense, a artista começou sua carreira musical ainda na infância, aos sete anos de idade. Desde então, teve experiência como cantora de coral por quase uma década e se dedicou ao teatro musical, trazendo toda uma nova experiência de palco para a artista. Desde 2014 compartilha por meio do YouTube versões de canções de sucesso. No total, a cantora já lançou mais de 300 vídeos e alcançou cerca de 225 mil pessoas.

Faixa a faixa por Joana Castanheira

Para, Por Favor

Eu morei com o Aparecido por um tempo, no Rio de Janeiro, e rapidamente nós ficamos muito amigos. Fizemos algumas parcerias musicais e “Para, Por Favor” foi uma delas. Eu havia feito o refrão da música uns meses antes numa época em que estava me relacionando com um menino que tinha o signo solar em câncer. Eu sou bem “louca dos signos” e adoro prestar atenção em como as pessoas se relacionam através dessa perspectiva. Meu signo solar é em sagitário e, por esse motivo, eu enxergava a nossa relação de uma forma um pouco engraçada. Enfim, eu fiz o refrão e não conseguia finalizar a música, até que um dia nós estávamos em casa conversando, eu mostrei para o Aparecido. Nós começamos a brincar com a história que o personagem da música poderia ter até que ela ficou pronta. Foi um dos processos de criação mais fáceis e divertidos que eu já tive.

Para Nós
Quem produziu o EP foi o Pedro Altério e o processo foi muito legal, nós gravamos na fazenda onde o Pedro mora, no interior de São Paulo. No meio do processo de escolha das músicas, ele lembrou de uma música que ele tinha composto com a mãe, a queridíssima Ritinha, e me falou que gostaria que alguém fizesse uma letra pra segunda estrofe, pra que a narrativa da música tivesse uma continuação. Como ele sabia que, nesse EP, eu só gostaria que entrassem músicas de minha autoria ou de minha autoria em parceria com outras pessoas, ele sugeriu que eu escrevesse essa segunda estrofe pra que a música entrasse no EP. Eu amei a música logo de cara e acabei buscando essa outra faceta da história que eles estavam contando. Eu nunca cheguei a conversar exatamente com o Pedro sobre a inspiração deles pra escrever aquela primeira parte da música e o refrão, então interpretei da minha forma, como um casal que se ama, mas que teve alguns problemas e a relação está confusa. Eu escrevi a segunda parte indo por uma linha semelhante, mas talvez um pouco mais caótica, como se, depois que tudo tivesse se perdido no refrão, aquelas pessoas já não tivessem mais dúvidas sobre o fato de que não conseguem ficar juntas, apesar de se amarem. Eu sou muito fã do Pedro e fiquei muito feliz por fazer essa primeira parceria com ele e ela entrar no disco, então acabei convidando ele pra gravar comigo e eu amo o resultado disso tudo.

Para Cledir
Essa música eu compus em parceria com um amigo meu, o Vitor Conor. Eu tinha ido ao Rio de Janeiro com a Ana Vilela e ela, que já era amiga dele, nos apresentou. Eu fiquei instantaneamente apaixonada pelas composições do Vitor e a gente resolveu escrever essa música naquela semana mesmo. Eu gosto de ter um tema quando vou escrever uma música e sugeri que falássemos sobre a história de amor que um amigo estava vivendo. A inspiração foi nessa história de alguém que tem vontade de se apaixonar e, ao mesmo tempo, tem medo de se entregar a uma paixão.

Para Mim
Geralmente as pessoas escutam essa música e associam a histórias românticas de amor, mas na verdade eu fiz essa música pra mim e sobre mim. Ela reflete sobre como, muitas vezes, nós não conseguimos amar a nossa casa, que é o nosso corpo. Essa foi uma época e que a minha relação com a minha autoimagem estava muito conturbada e a música fala sobre essa confusão mental.

To Eleanor
Eu tive o prazer de compor essa música com a minha amiga do coração, a Ana Vilela. Eu acho engraçada essa história porque eu e a Ana somos como irmãs, mas ela acompanhava o meu trabalho e era muito fã antes de nos conhecermos. Eu acabei conhecendo ela na época em que a música Trem Bala ficou conhecida e acabamos ficando muito amigas, moramos juntas por um tempo, quando estávamos no Rio de Janeiro. Nessa época, um dia a Ana estava um pouco chateada e me mostrou uma poesia que ela havia escrito. Eu adoro as coisas que a Ana escreve e, na hora que eu li a poesia eu já tive vontade de colocar uma melodia, mas como era uma história muito pessoal, eu não falei nada. Alguns dias depois ela veio me mostrar algumas ideias de melodia que ela estava tendo para a poesia e eu mostrei pra ela o que eu havia pensado. Ela adorou e disse que eu poderia finalizar da forma que quisesse. Fiquei muito feliz e é uma das músicas que eu mais gosto nesse EP.

Para (Des)conhecido
Eu acho que todo mundo passa por fases em que parece viver um ciclo de situações semelhantes. Eu passei por isso com meus relacionamentos e parecia não conseguir sair nunca do padrão que estava vivendo. Eu sempre me envolvia com pessoas que, aparentemente, estavam disponíveis, mas que, em um determinado momento, simplesmente desapareciam e nem davam explicação. Essas situações me faziam questionar a minha clareza com relação ao meu sentimento e aos fatos e, às vezes, eu pensava que talvez estivesse enxergando as coisas de forma errada ou exagerada. Essa música é sobre isso, pessoas que te fazem apaixonar rapidamente, mas que também te fazem questionar a sua sanidade mental.

Para Ana
Essa música é uma bonus track exclusiva para as plataformas digitais, não está no EP físico junto das outras. Ela foi a música que deu a ideia do EP, com os nomes das pessoas e as cartas. Essa é uma música muito importante pra mim porque foi a primeira que eu coloquei na internet e algumas pessoas a conhecem há muitos anos, apesar de nunca ter sido lançada como um trabalho autoral, de fato. Agora ela está aqui com um destaque, é a única música que vai ganhar um clipe com imagens que não são a do momento de gravação do áudio das faixas. Ela foi produzida e gravada em outro momento, por mim e pelo Felipe Pessoa, que é um amigo muito querido, e mixada e masterizada na Montanha, que é o estúdio do selo pelo qual o EP está sendo lançado. O clipe mostra as imagens das viagens que eu fiz pra entregar os EPs físicos em mãos pras pessoas que queriam ouvir as músicas e ter esse registro físico do trabalho. Algumas das cidades onde eu passei foram Florianópolis, São Paulo, Joinville, Jaraguá do Sul, Tubarão, Laguna, Araranguá, Criciúma, Barra Velha, Blumenau, Brusque, Itajaí e Balneário Camboriú.

Confira o EP: 


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