Resenha: Bárbara Eugênia aquece corações e abre leque de conexões com "Tuda"

Foto: Marcos Villas Boas

Desde que os primeiros singles foram lançados, respectivamente "Bagunça", "Perfeitamente Imperfeita" e "Querência", já era possível enxergar que o mais novo álbum de Bárbara Eugênia, "Tuda", viria com canções de poesias afiadas e diversas explorações musicais. Lançado na última sexta-feira, 08, o quarto disco solo da cantora carioca é além disto. É um caminho feito a partir de conexões.

Primeiro, as letras nos levam a ver que o amor é uma bobagem deliciosa, e, sobretudo, embora clichê, é lindo. Basta o trecho "Troco o meu descanso por um cansaço com você", de "Querência", para provar isto. Somente tais constatações justificariam  a gravação do registro, já que a voz de Bárbara ecoa livremente, com belas bases, letras e melodias, a favor deste sentimento tão nobre.

A conexão sonora com a música pop vem em "Bagunça", parceria com Zeca Baleiro; com a new wave oitentista em "Perdi"; com nossos hermanos latino-americanos em "Por La Luz Y Por Tierra", parceria com a banda argentina Onda Vaga; com a música britânica-espanhola, exposta na versão de "Sol de Verano", gravada originalmente pela cantora Jeanette; com o carnaval e a força de ser mulher em "Saudação", que traz as vozes e instrumentos de Soledad, Julia Valiengo, Mariana Bastos, Verônica Borges, Bruna Amaro, Thereza Menezes e Isadora Id, integrantes do Bloco Pagu, que exalta a igualdade de gênero e homenageia mulheres icônicas da história do Brasil, e, claro, com ritmos nordestinos, explícito com a breve participação do paraense Felipe Cordeiro, em "Confusão".



Extremamente conectada com a cena contemporânea, Bárbara Eugênia não se acanha. Afinal, seu disco é de amor. A artista traz referências de diversos espectros, que, sem tais elementos, a produção não seria tão rica. O destaque, além da ousadia sonora, desde as percussões, sintetizadores e saxofone, fica por conta das letras. "Bagunça" é uma música que deveria tocar em todos os cantos. "As Maçãs Que Vêm", balada um tanto quanto experimental, mas com uma tímida tentativa de um refrão chiclete: "Não posso perder as maçãs que vêm/ eu só vou fazer o que me faz bem", diz trecho.

"Tuda" conta com produção da própria Bárbara, em parceria com Clayton Martin e Dustan Gallas, além da Banda Onda Vaga, que assina produção junto à cantora de "Por La Luz Y Por Tierra" e Dj Tide, que assina sozinho "Confusão".

Sobre o lançamento, a artista postou nas redes sociais: "Tuda é tuda as coisa que eu gosto num disco só. É eu assumindo um papel cada vez maior no todo que é a produção de um disco. É uma forma de agradecer ao universo pela existência, por ser mulher. É um grande reencontro na minha vida, abertura do chakra cardíaco, finalmente aberto para receber amor. São processos de cura e transformação muito profundos que me levam a agradecer, saudar."

Com o novo registro, Bárbara Eugênia aquece os corações apaixonados, conversa com culturas e sonoridades e cai na pista de dança.



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