Resenha: Humberto Gessinger atiça coro dos contentes com novo show recheado de hits


Foto: Lucas Lima

Nem mesmo o calor extremamente intenso, em conjunto com o fraquíssimo ar-condicionado da comedoria do Sesc Pompeia, espantaram os fãs de ficarem à espera do cantor e multi-instrumentista gaúcho Humberto Gessinger na noite do último sábado, 02. Uma hora antes da apresentação ter realmente início, o público se aglutinava nas regiões mais próximas ao palco.

Três minutos antes do previsto, Gessinger apareceu ao lado do palco e, enquanto aguardava os comunicados pré-show da organização do Sesc, ouvia gritos calorosos de cerca de oitocentas pessoas que encheram o espaço e que, claro, já percebiam a presença do músico. E foi assim, com tal recepção, que a apresentação prosseguiu, praticamente do início ao fim.

O clima quente e alto-astral da plateia não reflete exatamente na atmosfera da apresentação. Gessinger, acompanhado de Paulinho Goulart (sanfona) e Nando Peters (contra-baixo), estreou na capital paulista o seu novo show, totalmente acústico. As canções foram executadas como era de se esperar, de modo calmo, lento e intimista. As músicas eram apresentadas, praticamente, grudadas uma nas outras. A falação, por parte do cantor, era mínima. Os espaços para interação com o público ficaram nas músicas mesmo, em especial, nas brechas deixadas para os fãs soltarem, sozinhos, suas vozes. É um show feito para atiçar o coro dos contentes.

Foto: Lucas Lima

O repertório é projetado com base nos quatro discos acústicos lançados durante a carreira de Humberto: "Filmes de Guerra, Canções de Amor", "Acústico MTV", "Novos Horizontes" e "Pouca Vogal". Contudo, há boas surpresas. A dobradinha de Paulinho com Peters tem um entrosamento belíssimo entre o virtuosismo do sanfoneiro e a calma do baixista. Não é difícil ouvir, durante as canções, absorções de ritmos como tango, folk e a milonga.

No set, é possível conferir faixas pouco executadas, como "Sem Problemas", música lançada em 1997 no disco "Minuano" e "Vozes", do clássico "A Revolta dos Dândis" (1987). Junto com canções mais recentes, como "Cadê?" e "Pra Caramba", lançadas como singles, em edição da gravadora carioca Deck, em 2017,  a faixa do disco amarelo dos Engenheiros do Hawaii pouco interessou o coro dos contentes. Mas, diante de tantas canções presentes no repertório, as exceções são raras.

Foto: Lucas Lima

Os hits "Terra de Gigantes", "Pra Ser Sincero", "Somos Quem Podemos Ser" e "Eu Que Não Amo Você" (cantada por um Gessinger apaixonado, que mudou ligeiramente uma parte da letra para "eu que só amo você") dividem o repertório com canções que não são exatamente hits, mas que têm um grande apelo vocal por parte dos entendidos. São elas: "A Montanha", "Vertical", Voo do Besouro", "Por Acaso" e "Nuvem", esta última, também do álbum "Minuano", teve uma ligeira introdução nos moldes de "Dazed and Confused", clássico do Led Zeppelin que, naturalmente, tem pouca assimilação imediata com a melancólica poesia de Humberto. Por fim, o porto-alegrense subiu sozinho ao palco e cantou "Perfeita Simetria" (1990). "Sua Graça" (2013) e "A Revolta dos Dândis" (1986) fecharam a noite, já com Peters e Goulart de volta.

Em processo de finalização de um novo álbum, Humberto Gessinger se dá bem na missão de aquecer o coro dos contentes com músicas consagradas de sua carreira, antes de mostrar e cair na estrada com material novo. O show, certamente, não é para se acabar de dançar ou pular, mas o espaço é grande para os fãs se esgoelarem de cantar.

Cotação: 3/5

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