Taciana Barros anuncia volta da Gang 90 com lançamento de livro, músicas inéditas e shows

Foto: Divulgação

Júlio Barroso  não era um músico excepcional, não tinha habilidades com instrumentos musicais e sua voz não era das mais afinadas do mundo, mas tinha, sim, uma mente fervilhante e das mais criativas. Jornalista e curioso por natureza, em uma de suas estadias por Nova York, após um pequeno pulo na República Dominicana, se encantou pelo grupo canadense Kid Creole & The Coconuts.

Em sua volta ao Brasil, esteve inteiramente ligado a primeira casa new wave de São Paulo, a Pauliceia Desvairada, arquitetada pelo amigo Nelson Motta. Foi Motta, aliás, que contribuiu inteiramente para o voo da Gang 90 & Absurdettes. O jornalista tinha, dentro da WEA, o selo Hot, que abrigara, em toda a sua existência, apenas a banda de Júlio.

Inicialmente, a Gang era: Gigante Brasil (bateria), Wander Taffo (guitarra), Lee Marcucci (baixo), Guilherme Arantes (teclados), com as backing vocals Alice Pink Pank, May East, Lonita Renaux e Luíza Maria. Claro que com o andar da carruagem, a formação foi mudando.



Foi em 1981 que o grupo se apresentou no MPB-Shell e teve certo destaque com o single "Perdidos na Selva". É certo que o sucesso do hit levou a Gang para uma turnê nacional, mas não sustentou a estadia do grupo na WEA, dispensado no final de 1981. Júlio voltou para Nova York e só retornou ao Brasil quando a Blitz estourou. Incluiu Taciana Barros na banda e assinou contrato com a RCA, onde lançou o álbum "Essa Tal de Gang 90 & Absurdettes".

"Me lembro de quando eu estava no palco do Heavy Metal, em Santos, e, durante o show, ele (Júlio) apareceu na primeira fila do lado onde eu estava tocando piano elétrico e perguntou no final da música se eu queria entrar pra Gang. Foi louco isso. Daí subi pra São Paulo e conheci a banda em um ensaio no estúdio da RCA. Desse dia em diante não voltei para Santos", conta Taciana Barros.
Júlio Barroso saiu de cena em 1984, após cair da janela de seu apartamento, no 11° andar de um edifício em São Paulo. De 1985 a 1987, Taciana foi a cabeça da Gang. O grupo chegou a lançar mais dois discos, "Rosas e Tigres" (Som Livre) e "Pedra 90" (Continental), mas nada emplacou, então, naturalmente, a Gang se desfez.


A volta

Trinta e cinco anos após a subida de Júlio Barroso, Taciana Barros anunciou via Facebook que a Gang 90 voltará aos palcos com novidades. Os shows serão no Sesc Pompeia, nos dias 23 e 24 de fevereiro. "Não tem muita explicação, mas, basicamente, só agora me deu vontade de reviver essa história e esses sons. Venho pensando nisso faz um ano", conta Taciana. "Na banda base estará a turma do segundo e terceiro álbum. Um dos convidados será o guitarrista Herman Torres, da primeira formação da Gang, cantor, entre outras, de 'Nosso Louco Amor'. Ainda estamos confirmando o time todo, mas já adianto que será bem emocionante", completa.

As apresentações marcam o lançamento de um novo livro, com poesias e textos de Júlio. "Tem coisa inédita e também textos do Música do Planeta Terra (revista montada em 1976 por Júlio e Antônio Carlos Miguel) além de poesias e trechos de letras de música. A ideia do livro é dar uma visão geral no bonito, consistente e libertário universo poético do Julio", explica Taciana Barros.

A ideia é também lançar músicas inéditas, como "Quero Sonhar Com Você", parceria de Taciana com Paulo Lepetit. A princípio, a canção será lançada apenas nas mídias digitais.

A volta da Gang 90 reascende a aura e os ideias de Júlio Barroso, artista com importância ímpar para a música brasileira que tinha como premissa quebrar as barreiras do cult e o popular. "Julio faz falta em todos os sentidos e, atualmente, ainda mais", pontua Taciana.







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