Resenha: Rouge passeia por ritmos, mas não foge do padrão pop em novo EP

Foto: Divulgação

Girlband fabricada em 2002 a partir de um reality show, o Rouge esteve em cena até 2006, quando entrou em hiato. O grupo anunciou sua volta no final do ano passado, com o intuito de relembrar os clássicos e lançar material novo. Inicialmente, Aline Wirley, Fantine Thó, Karin Hils, Li Martins e Lu Andrade divulgaram os singles "Bailando" e "Dona da Minha Vida".

Agora, o grupo parte com a premissa de adentrar o atual cenário musical pop brasileiro, sem ficar refém das antigas canções. Para isto, o Rouge lançou o EP "5", calcado em batidas eletrônicas, desde o funk ao reggaeton. Como sugerido pelo título, o registro faz menção ao quinto trabalho do grupo.

O EP chegou nas plataformas digitais no início de outubro e é o ponto de partida para um álbum cheio. São quatro faixas inéditas, complementadas com "Dona da Minha Vida", já divulgada anteriormente. No geral, as artistas absorvem, naturalmente, o discurso empoderado, sem que tenha uma agressividade em relação a isto. As canções transitam, entre baladas românticas e pistas de dança, sendo em sua maior parte, fomentadas em mistura estética sonora padronizada, como uma fórmula matemática. É assim, por exemplo, na faixa de abertura, "Solo Tu", canção com alguns versos em espanhol  (que remete, de certa forma, ao início do Rouge) uma aposta no reggaeton, ritmo latino em alta e cada vez mais explorado por artistas brasileiros.

O Rouge usa também do funk melody em "Beijo Na Boca", que soa como a mais moderna do disco. A canção é uma parceria com Vitão, cantor presente no catálogo da HeadMedia, a produtora responsável pelo novo trabalho da girlband.

"Dona da Minha Vida", faixa que teve edição como single, é a mais interessante do registro. A canção traz elementos do pop rock indie (ala Imagine Dragons), com refrão que destaca a independência feminina, baseado em um coral que, de certa maneira, é responsável por colocar um tom épico na música. As batidas eletrônicas vão além do que é mostrado no pop nacional atual.



"Sem Temer" é a característica balada hiper açucarada, não traz nada que diferencie o Rouge de tantos outros artistas, mas, sim, cumpre os mandamentos do pop romântico, com refrão fácil de se assimilar: "Mesmo se essa história não levar em nada/ Vai ficar pra sempre na nossa lembrança/ Mesmo se essa história não levar em nada/ Vai ficar pra sempre na nossa lembrança".

O EP termina com "Te Ligo Depois", canção com pouca jocosidade, que tem, mesmo que embalada, uma estética vintage de canções dos anos 90.

Este é o primeiro trabalho inédito do Rouge desde 2005. Não pode se caracterizar o registro como ruim, mas, sim, sem algo que realmente diferencie o trabalho das meninas de tantos outros artistas pop. O grupo absorve muito bem elementos da música internacional, desde o reggaeton ao pop rock, mas não explora elementos que fujam da caixinha, que, talvez, dariam um valor mais original e que firmariam uma identidade mais forte ao trabalho.

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