Emicida busca na história base para falar sobre os dias atuais

Foto: Daryan Dornelles

Emicida foi até 1870 para estudar a história de Inácio da Catingueira, poeta e escravo que travou uma peleja com Romano Caluete, pequeno proprietário rural da Paraíba. Há quem diga que Inácio realmente existiu, mas tem também quem argumente que ele não passa de uma lenda. O fato é que, de acordo com as histórias, o poeta era muito bom para debater, tinha a língua afiada e uma grande habilidade de argumentação, tal qual como Emicida.

E Inácio da Catingueira é o nome do novo single do rapper. A canção faz um paralelo com os dias atuais, em especial, pelos debates rasos, regados de preconceitos nas redes sociais. É também, sobretudo, uma crítica a regressão que estamos vendo acontecer ou que, está agora muito mais aparente por conta de mecanismos tecnológicos e "instituições de bem" que se sentem a vontade para se manifestarem.

“O frustrante quando você luta contra essas estruturas é que por mais que você alcance sua liberdade individual, no coletivo seus irmãos tão tudo acorrentado. E a maior coisa que você pode ter, que é a sua liberdade, acaba se tornando uma coisa menor porque quando você olha no entorno as correntes estão em todo mundo menos em você. Aí cê se sente mal por isso também, tá ligado?”, reflete Emicida.

O instrumental da faixa é de Dj Duh, parceiro de longa data de Emicida, enquanto a letra é assinada apenas pelo rapper. A canção ganhou ainda lyric vídeo, dirigido por André Maciel, artista plástico, ilustrador e fundador do estúdio Black Madre Atelier.

“A estética escolhida para este clipe está ligada diretamente ao personagem Inácio da Catingueira, que foi um escravo e por cantar Cordel usamos a xilogravura como estética geral, ambos fazer parte do mesmo universo, sendo a xilogravura usada na parte da literatura de Cordel", conta André Maciel.

Confira o vídeo: 




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