Resenha: por meio de conexões, Laure Briard quebra fronteiras e mostra seu "Coração Louco" ao Brasil

Foto: André Peniche

O dia amanhece. O Sol brilha tímido no céu, as pessoas acordam, saem de casa e vão ao encontro de conexões. Enfrentam o stress, o trânsito. Ainda assim, no caminho, encontram coisas tão simples capazes de embelezar o dia. E o dia segue. Mais pessoas criam conexões, atravessam cidades, países, oceanos. Conexões distantes, por imagem, pela fotografia, pela música ou conexões tão próximas que valem um abraço. Uniões cósmicas, que quebram fronteiras.

Laure Briard, francesa, cinco anos de carreira e, claro, habilidade quase nula em falar a língua portuguesa. Cantora que se inspira no pop psicodélico do final dos anos 60, Laure alimenta uniões cósmicas, expostas em seu novo EP, "Coração Louco", em que a francesa canta seis faixas em português com sotaque embolado e charmoso. Por meio de tais uniões, Laure se encontrou com Jorge Ben Jor. O encontro não foi presencial, mas sim sonoro. O coração louco da artista bateu forte e Jorge é a inspiração para a segunda faixa do EP. O nome da canção é este mesmo, "Jorge".

Tão importante quanto este contato com Jorge Ben Jor, foi o encontro (presencial) de Laure Briard com os goianos dos Boogarins, banda psicodélica em alta no cenário musical brasileiro. O encontro aconteceu no festival South By Southwest (SXSW), no Texas, em 2017. A conexão entre Laure e os Boogarins foi tao grande que eles chegaram a se apresentarem juntos no México, naquele mesmo ano. Benke Ferraz, guitarrista da banda goiana, ainda convidou a francesa a excursionar pelo Brasil. E, desta viagem, veio a ideia de fazer músicas em português.

Foto: Olia Eichenbaum

“Depois de termos gravado Janela durante a turnê que Laure fez no Brasil, ela começou a me encher de demos com novas canções em português e senti uma boa energia das canções” conta Benke. “Foi fácil criar gosto pela mistura do pop mais clássico dela com o que ela assimilou do Brasil, seja nos temas ou nas harmonias. Não costumo trabalhar com sons tão diretos e resolvi comprar o desafio, além de gostar das imagens que ela criava com as letras pouco usuais pra quem fala português”, completa.

E, foi assim que Laure Briard e os Boogarins começaram a quebrar mais fronteiras por meio de conexões. Benke assinou a produção e mixagem de "Coração Louco", que foi gravado em Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo. Dinho Almeida (violão, guitarra e vozes) e Ynaiã Benthroldo (bateria e percussão), ambos dos Boogarins, e Danilo Sevalli (teclas), da Hierofante Púrpura, também participam do disco. O resultado final é uma grande mistura do pop psicodélico, com toques ligeiramente brasileiros. Em "Janela", por exemplo, há um início bossa nova, que progride até alcançar o pop, com requintes da dita psicodelia.

O registro ainda conta com uma faixa mais experimental e obscura, "Numa Fria Noite". "Cravado" traz o samba para o disco, enquanto "Coração Louco", faixa que dá o título ao registro, tem uma veia do pop rock, com versos doces expostos na leveza da voz de Laure Briard. "Tomada de Decisão" é a mais curta do EP e também a mais melancólica, com algumas batidas fortes e requintes leves de acordeon, que dá um tom contemporâneo para a canção.

"Coração Louco", como um todo, é um disco regado a amor e conexões. Encontros que nos levam a outros lugares ou a novos conhecimentos, sem mesmo precisar sair do lugar. Isto, somente é possível, porque pessoas como Laure Briard existem.

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