Resenha: Calmo, Erasmo Carlos caminha pelo amor em seu novo disco

Foto: Reprodução/Facebook

Ouvir o 31° álbum de Erasmo Carlos, "Amor É Isso" (Som Livre), é como caminhar em uma praia vazia, em um fim de tarde onde sol já não está tão forte, mas agradável para a caminhada. Em 12 faixas, produzidas por Pupilo e dirigidas artisticamente por Marcus Preto, o Tremendão caminha calmo, apaixonado e moderno na cabeça do ouvinte.

Das muitas parcerias (Marisa Monte e Dadi Carvalho em "Convite Pra Nascer de Novo"; Emicida em"Termos e Condições; Marcelo Camelo em "Sol da Barra"; Nando Reis em "Minha Âncora; Samuel Rosa em "Novo Sentido"; Adriana Calcanhoto em "Seu Sim"; Arnaldo Antunes em "Parece Que Foi Hoje" e Teago Oliveira em "Não Existe Saudades no Cosmo") destaco a faixa que abre o disco, "Convite Para Nascer de Novo", um bom gancho introdutório e uma boa ambientação da sonoridade que virá a ser predominante no restante do álbum.

Já em "Termos e Condições", Erasmo contou com Emicida para cantar como as tecnologias mudaram as relações pessoais. "Tudo é meio Jetsons"/Snaps e chats/E gadgets bons/Tudo é meio Jetsons/Enfim, na boa/Mas o primeiro touchscreen foi de uma pessoa", diz trecho da música. Mesmo um assunto que pareça tão complexo e técnico, ganhou a combinação poética mais solta do disco.

O soul quebra bem o clima sereno do álbum em "Acareação Existencial (Vem Vida Muito)", oitava faixa do registro. A música antecede "Novo Love", versão em português de "New Love", canção composta por Tim Maia e Roger Bruno e lançada originalmente em 1973, no terceiro álbum do "síndico".

E o que dizer de "Não Existe Saudade no Cosmos"? Canção composta por Teago Oliveira (Maglore), foi o primeiro single do álbum e talvez seja a canção mais triste e emocionante do registro. Erasmo, ao tentar se desagarrar de alguém que partiu e não deseja voltar, dá espaço ao choro, dá um recado de desapego, mas indica que a porta estará sempre aberta. "Se você quiser chorar/Então chore/Então chore/Se o Cosmos é o lugar/Que não morre/Que não morre/Você sabe o caminho de casa", diz refrão da música.

"Amor É Isso" é um registro linear, sem tantos nuances. É um disco que se mantém, e, acredito, que esta foi realmente a proposta ao se apresentar um álbum temático, regado de amor. Com certeza um dos melhores lançamentos deste semestre e, provavelmente, um dos discos mais bonitos deste ano.

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