Entrevista: O Maglore mais maduro, sensual e agora em vinil

Foto: Azevedo Lobo

Poucas bandas apresentam o ser e o social com a leveza que o Maglore faz. Com quase 10 anos de carreira, a banda lançou no ano passado seu disco mais autoral, como os próprios descrevem, e mexeu em feridas delicadas, como a política, sem tomar partido. Intitulado "Todas As Bandeiras" (Deck), o quarto álbum de estúdio dos baianos une o rock, o samba, a melancolia, as alegrias e o agradecimento.

Em turnê extensa de divulgação do disco, o Maglore faz show especial no Auditório do Ibirapuera, no próximo 15 de junho. Especial por ser uma celebração (o grupo lança, na ocasião, o vinil de "Todas As Bandeiras") e também por apresentar uma nova ambientação sonora, com "trombone, trompete, sax e sensualidade", segundo anúncio nas redes sociais.

Nove meses após lançamento do álbum, que é sucesso de público e crítica, conversamos por e-mail com Teago Oliveira (vocal/guitarra) sobre o show, lançamento do vinil e as metamorfoses que aconteceram desde o lançamento do álbum até aqui. Confira:



EB:  Acredito que "Todas As Bandeiras" é um disco que fala sobre o ser humano, em particular sobre amor, metamorfoses, etc, mas também fala sobre o social. Desde o lançamento do disco aconteceu muitas coisas, em especial no Brasil. Esta mudança constante de atmosfera interfere no modo de fazer música de vocês, desde executar as canções nos shows até criar composições novas?
Teago:O disco surgiu de forma muito livre e, ao mesmo tempo, num momento de muita transformação social, que estamos vivendo, e também pessoal. Tudo isso afeta a banda direta ou indiretamente, muito embora a gente não faça música com um propósito ou buscando “estar contextualizado”. Essas transformações acabam incidentalmente influenciando nosso trabalho. Gostamos do conceito de arte livre e tentamos ser ao máximo naturais.

EB:  O "Todas As Bandeiras" chega agora ao público em formato de vinil. Eu sei que, principalmente aqui no Brasil, ainda é muito caro de se fazer o vinil. Por que apostar nesta mídia?
Teago:  Óbvio que o vinil não é mais um formato consumido pela massa, mas acreditamos que é mais um formato do qual gostamos. O som, o ritual de se ouvir um disco inteiro, tudo isso faz parte do que a gente acredita na forma de se consumir música também, então ficamos bem felizes de poder oferecer essa opção pra galera!

"Não acreditamos mais em partidos políticos, mas em ideias e reestruturação política"


EB: São quase 10 anos de carreira, agenda lotada e o "Todas As Bandeiras" muito bem recebido pela mídia e pela crítica. Qual a reflexão a se fazer sobre o momento de vocês e como que é para uma banda com 10 anos na estrada projetar sobre um futuro?
Teago: Tudo na Maglore foi conseguido com muito esforço, durante muito tempo nos perguntamos porque era tão difícil pra gente chegar em um lugar e tão fácil para outros artistas que, em muitos casos, até encerraram sua carreira. Depois, caímos na real de que cada artista consegue as coisas de um jeito, sabe. Entendemos que a nossa caminhada se constrói tijolo por tijolo. Então é isso, é fazer a música que a gente gosta, conhecer a galera que gosta do que a gente faz, ter essa inquietação artística de sempre sair do lugar comum, de explorar, de descobrir, ter esse espírito coletivo, de banda mesmo. Somos um pouco aquele filme...“Quase Famosos”, do Cameron Crowe.

Foto: Duane Carvalho

EB: No site de vocês, o "Todas As Bandeiras" é descrito como o disco mais autoral da banda. Em que sentido seria isto?
Teago: É o mais autoral, porque acho que é o mais genuíno. As letras, arranjos, melodias, são obviamente mais maduras do que nos outros discos.

EB: Ao se fazer um disco tão político como o "Todas As Bandeiras", existe um cuidado maior, uma autocrítica com as composições para justamente não se tomar partido, não levantar bandeiras? Ou as músicas foram colocadas na rua do jeito que elas nasceram?
Teago: Foram colocadas na rua do jeito que nasceram. Quem conhece a banda sabe que somos a favor de ideias progressistas, acreditamos na evolução social, livre de preconceitos e violências contra minorias; um lugar onde nossa sociedade se sinta representada em todos os níveis. O disco aborda, ainda que implicitamente, histórias envolvendo esses temas. Envolver um partido político é simplesmente destruir todo esse conceito, que a gente acredita que tem que vir de baixo pra cima. Não acreditamos mais em partidos políticos, mas em ideias e reestruturação política.

EB: Como eu disse, vocês estão com uma agenda bem cheia. A melhor forma de se divulgar um trabalho ainda é fazendo cada vez mais shows, tocando em todas as partes do país, quiçá do mundo? Ou é um caminho contrário, os shows só acontecem se tiver um bom recebimento nas plataformas digitais? Como que é trabalhar isto?
Teago: Os dois jeitos. Tocando bastante, e criando bastante. O show é uma extensão do disco, tem toda uma dinâmica diferente e cada vez mais entendemos isso como parte de um único processo artístico. As duas coisas andam juntas na minha opinião.

EB: Já pegando este gancho de shows, o que é mais difícil para uma banda independente ao projetar uma turnê?
Teago: É difícil dentro do nosso circuito cumprir uma logística minimamente digna pra uma turnê acontecer do jeito que queremos fazer pro público. Faltam recursos, não temos patrocínio, mas também não posso dizer que é ruim, porque estamos fazendo e entregando um bom show ao nosso público, que é muito amável e gente boa.

EB: E quais as expectativas, o que podemos esperar para o show no Auditório do Ibirapuera?
Teago: O show no "ibira" é um novo show. Estou animadaço, porque é um show com sopro (sax, trompete, trombone) que traz uma cor muito legal nas nossas músicas. Combina muito com o disco novo. É um show único, não sei se repetiremos esse ano.

Serviço:
Maglore no Auditório do Ibirapuera
Data: 15 de junho de 2018 (sexta-feira)
Horário: 21h
Ingressos: R$ 30,00 (inteira), R$ 15,00 (meia)
Vendas: Ingresso Rápido

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