Entrevista: A bad vira arte na voz de Duda Beat

Foto: Ana Alexandrino

Anos e anos perdurados por amores perdidos, sofrimentos e dores. Tudo isto poderia ser apenas uma, ou várias histórias tristes, mas é a base para "Sinto Muito", disco de estreia da pernambucana, radicada no Rio, Duda Beat, que canta com seu leve e gostoso sotaque, músicas com uma sonoridade forte, psicodélica, romântica e melancólica. Duda Beat apresenta para o mundo o seu processo de cura. A "bad", vira arte.

"Sinto Muito" foi produzido por Tomás Tróia, agora parceiro da cantora. Diogo Strausz, Patrick Laplan, Pedro Garcia e Lux Ferreira também estiveram presentes no registro e foram fundamentais para a criação da sonoridade única do álbum.

Durante a narrativa, os demônios vão dando espaço para a recuperação, novas experiências, desabafos e reflexões. "Bixinho", faixa de trabalho e que entrou nos "50 Virais do Spotify", fala sobre desapego; "Pro Mundo Ouvir" representa um grito desesperado e "Back To Bad" conta, em uma sonoridade "bem Def Leppard", a história de um amor ressentido. Ao todo, são 11 faixas, que, apesar de tudo, falam exatamente sobre amor.

Duda nos contou sobre como foi colocar sentimentos tão pessoais nas músicas, sua história com a música e os planos para seguir em frente. Confira a entrevista da cantora ao Eufonia:

Capa do álbum "Sinto Muito" por Renato Galvão

EB: Como que você se sente ao colocar e expor sentimentos tão pessoais na sua música e o quanto isto foi importante para você?
Duda: Me sinto feliz por ter encontrado na música um caminho pra compreender meus sentimentos, desejos e também as minhas insatisfações relacionadas ao amor. As canções revelam minhas verdades mais íntimas e o mais louco é que, quanto mais gente escutar e se identificar com elas, isso me deixa mas feliz, mas faz eu me sentir mais exposta. Mas o intuito do disco foi mesmo de desabafo, esse primeiro trabalho é totalmente autobiográfico, então eu já sabia mais ou menos o que estava por vir.

EB: As canções do álbum, que se ligam de uma certa forma, trazem pra gente dramas que você ainda vive ou as músicas dizem apenas da Duda do passado?
Duda: Pelo amor de Deus, já sofri demais, minha gente! (risos) Bom, hoje esse coração está sendo bem cuidado. Fazer o disco foi uma catarse que me trouxe amadurecimento e, ao mesmo tempo, aconteceu essa coisa linda, do meu grande amigo de infância se transformar não só no produtor musical do disco mas também se tornar o meu amor, aquele cara com quem eu hoje vivo uma relação íntegra, comprometida. 

Mas, dramas românticos sempre existem e sempre vão existir. Mesmo estando bem no amor, de vez em quando a gente se pega cantando uma boa dor de cotovelo. Quem nunca?

Foto: Ana Alexandrino

EB: Podemos dizer que o resultado final do disco é o lado bom do sofrer? ( ou este lado não existe?)
Duda: Acredito que sofrer faz a gente crescer, sabe? Ninguém muda quando está tudo certo, tudo tranquilo. O bichinho da dor e da insatisfação é que faz a gente dar aquela reviravolta, aquele duplo twist carpado na vida! O processo de compor foi resultado das dores, mas o disco não faz parte do sofrimento e sim da cura. 

Colocar pra fora apagou as sombras dos antigos amores. O mais maravilhoso é que hoje em dia esses caras me admiram e cantarolam minhas músicas! A vitória pessoal por trás disso é impagável, recomendo a todos! (risos).

EB: Antes de colocar seus sofrimentos nas músicas, você encontrava outras formas de se colocar pra fora?
Duda: Sim, procuro cultivar o amor-próprio e busco o que me faz bem, antes e depois de lançar o disco. Patinar, trabalhar, encontrar meus amigos, visitar minha família e comer muita coisa gostosa.

EB: Como que é sua história com a música? De onde veio esta vontade de cantar e compor?
Duda: A vontade sempre existiu, desde pequena eu tenho uma relação muito forte com a música. Canto desde os 13 anos, me destaquei no coral da igreja e ganhei meu primeiro solo. Mesmo sendo um universo pequeno, já vem aquela sensação de "eu faço isso direitinho" (risos). Foto: Ana Alexandrino

Depois, fiz uma banda de cover no colegial, a gente cantava no intervalo das aulas e eu ganhei o apelido de "cantorinha". Cheguei no Rio com 18 anos e fiz backing vocal pro disco do Castello Branco e da Letrux , mas até então era tudo uma curtição, dar uma força pros amigos. Até eu mostrar minhas músicas pro Tomás Troia, produtor do "Sinto Muito", sem a menor pretensão, e ele me esclarecer que eu tinha uma obra, um álbum completo. O desejo de ser cantora profissional era um daqueles segredos que eu não assumia nem pra mim mesma.



EB: Em "Bixinho" você diz que experimentou o desapego. De modo geral, o que mais você quer muito experimentar e ainda não conseguiu?
Duda: Quero experimentar muitas sensações ainda! Poder viajar pra Grécia com meus amigos, prover uma vida confortável pros meus pais, viver num país com menos desigualdade, andar nas ruas sem me preocupar se estarei em risco por ser mulher, saber que as pessoas não são julgadas pela sua cor ou sua opção sexual... a lista é grande, eu sou uma sonhadora bem competente.

EB: E agora que o disco está lançado, quais os planos para seguir em frente?
Duda: Trabalhar duro, fazer muito show pelo Brasil inteiro, não só nas metrópoles, mas também nas pequenas cidades. Escrever mais um monte de música e não parar nunca mais. Estou muito grata pela forma como o disco foi recebido.

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