Entrevista: O amadurecimento, os planos e o show de Mallu Magalhães

Foto: Divulgação

Mallu Magalhães passou por grandes desafios desde o início de sua carreira. Aquela garota tímida, da época do "Tchubaruba", em que já se apresentava em programas como o Altas Horas e no Jô Soares, se tornou mãe, montou, junto com Marcelo Camelo e Fred Ferreira, a Banda do Mar, enfrentou polêmicas e lançou um dos melhores discos do ano passado, "Vem", em flertes com o samba e a bossa nova.

A cantora, que faz parte do line up do Lollapalooza deste ano, faz parte do nosso especial do festival. Convidamos Mallu a responder algumas perguntas,e, por e-mail, ela nos mandou as respostas. Mallu Magalhães fala sobre seu novo álbum, o que esperar do show no Lolla e de sua carreira.

Confira abaixo a entrevista na íntegra:

EB: 25 anos de idade e quatro álbuns na carreira. Olhando do início pra cá, no que mais você vê que amadureceu e no que ainda falta amadurecer?

Mallu: Aprendo muito com as pessoas, acima de tudo. E também com os acertos e com os erros. Qualquer passo é válido. Mas ainda falta muita coisa. Falta, por exemplo, poder perder um pouco da maturidade, que às vezes nos consome.

EB: Muita gente diz que você compõe muito rápido. Mas como que é trabalhar a composição até que ela chegue no ponto que você fale que aquilo está realmente bom? É difícil?
Mallu: Gosto de prazos. Não há melhor, há o melhor que pudemos fazer, dadas as circunstâncias. Por isso funciona bem para mim demarcar limites, determinar as condições para encontrar a mim naquele cenário e momento. Muita liberdade às vezes confunde a cabeça da gente que tem natureza da sobrevivência. 

EB: Tem gente que fala que é compositor do cotidiano, da rua. Há também quem fale que compor é se colocar pra fora e há também quem nem sabe da onde veio, só vai colocando no papel (as vezes até sonha com a letra). Em "Vem" você canta o amor, se coloca como personagem nas músicas e também canta o cotidiano. O que é compor pra você e o que mais te influencia a escrever?
Mallu: Compor, para mim, sempre foi uma necessidade física e emocional. Seja para pedir que algo venha, seja para me libertar de alguma coisa. E existir é isso, é quem somos diante do próximo, dos fatos e das coisas como se apresentam. Minhas influências são precisamente esses motivos do cotidiano prático e do cotidiano emocional.

EB: Foram seis anos de intervalo entre o "Pitanga" e o "Vem". Quando que o "Vem" começou mesmo?
Mallu: Esse álbum é a mistura de canções que apareceram durante a Banda do Mar e a turnê voz e violão, com as que apareceram quando essa terminou e pude me dedicar inteiramente à composição, além da dedicação à maternidade. Muito embora algumas tenham bastante distância cronológica, falam das mesmas questões.

EB: O disco foi muito bem reverberado pela crítica. E qual o feedback do público que você vem recebendo? Você está tendo uma resposta positiva?
Mallu: Sim! Minha maior alegria é esse público tão fiel, meus semelhantes, meus parceiros, meus amigos. E também os simpatizantes. É mesmo um privilégio receber tanto carinho. A música acontece no coração de quem houve. Meu papel é oferecer e sentir-se útil. É muito gratificante.

EB: E, após este resultado do disco, qual o próximo passo, o que fazer, quais os planos?
Mallu: Tenho muitos planos, muitos sonhos. Ainda há dois vídeos para serem lançados, e a turnê que segue por Curitiba (18.03), depois o Lolla (23.03) e Rio de Janeiro (24.03). Vou me concentrar agora em divulgar essas datas e os vídeos, e deixar crescer as novas canções que já começam a aparecer.

EB: Seus últimos shows foram em lugares fechados e com uma capacidade muito menor de público do que festivais como o Lollapalooza. Para apresentação no Lolla, terá alguma mudança significativa no show, além de um set mais curto?
Mallu: Estamos trabalhando em mais detalhes no cenário e preparando um set list consistente e emocionante, com as principais canções da carreira, complementadas com referências, como Cake e O Terno.



EB: Como que é o lance de levar sua música para uma galera que talvez nem ouviu seu disco novo ainda, ou que, de repente, nunca ouviu uma música sua e tá ali só pra ver outro artista? Você pensa neste desafio? É uma coisa muito provável de acontecer no Lollapalooza.
Mallu: O ambiente de festival é bastante diferente de uma situação de show solo... a intenção passa a ser participar e não protagonizar. Por isso, pessoalmente, gosto muito dessa premissa de partilha que esse tipo de evento propõe: é oferecer um som legal para o pessoal ouvir e curtir.

EB: Para finalizar, por que reservar um tempinho para ver Mallu Magalhães no Lollapalooza?
Mallu: Porque é um momento curioso que você vê o pessoal tocando música autoral do Brasil e um tsuru gigante ao mesmo tempo, ou para se emocionar com as letras sentimentais ao som de um grupo incrível de músicos.

Mallu Magalhães se apresenta no dia 23 de março no Lollapalooza.

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