"A música brasileira é muito rica e linda pra ficar fora dos grandes palcos", diz Larissa Conforto, baterista da Ventre

Foto: Hannah Carvalho

Pouco mais de um mês para o Lollapalooza 2018, festival que reúne artistas de diversos estilos musicais. Red Hot Chilli Peppers, The Killers, Lana Del Rey, Pearl Jam. A lista é grande. Mas, e os  músicos nacionais? Para quem ainda não sabe, a função do Eufonia é valorizar a música brasileira, e, até por isso, resolvemos fazer um especial de entrevistas com os artistas brasileiros que tocarão no festival. E a escalação é grande: Tiê, Mano Brown, Tagore, Rincon Sapiência, Plutão Já Foi Planeta e muito mais.

Postaremos, uma vez por semana, uma matéria especial com cada banda que passará no Lolla. Para iniciarmos, convidamos Larissa Conforto, baterista da Ventre, a nos responder algumas perguntas. Mas, afinal, quem é a Ventre?

A Ventre é um power-trio carioca formado por Larissa Conforto (bateria), Hugo Noguchi (baixo) e Gabriel Ventura (guitarra/voz). A banda tem um disco homônimo, lançado em 2015, e já prepara seu sucessor. Vale ressaltar que o grupo é mais do que experiente em festivais. Já participaram de eventos como o Bananada (GO), Do Sol (RN) e Coquetel Molotov (PE).

E, por que Larissa? Nos shows, a baterista é porta-voz do grupo. Militância, atitude roqueira. Parece sempre estar pronta para algum desafio. Larissa é uma heroína. Confira entrevista:

EB:  Estou sabendo que a Ventre está trabalhando em um novo disco, a que pé anda isto e o que podemos esperar do novo disco?
Larissa: Nem a gente sabe ainda. Nós passamos alguns dias entre amigxs, na "Casa do Bóris", em Cotia (SP). Com a ajuda do Diego Poloni (músico multi-instrumentista e engenheiro de som), gravamos três faixas inéditas. Por enquanto é isso que temos, e não sabemos o que mais virá. Logo logo divulgaremos a primeira faixa, junto com um fragmento de uma HQ que pode ou não pode ser uma história só (risos). Parece papo de doido né? Estamos nos deixando levar...

EB:  Faz quase três anos desde o lançamento de "Ventre", o álbum de estreia de vocês. Olhando pra ele agora, você vê que vocês fizeram a coisa certa? Se desse, você mexeria em alguma coisa, tiraria, modificaria alguma canção?
Larissa: Não sei se existe coisa certa em música. Em áudio a gente costuma dizer que nunca se "termina" um disco, e sim se "abandona" (risos). É um processo de desapego mesmo! Sempre tem o que mexer, o que aprimorar, mas afinal as coisas são como são, né?!

Eu gosto de pensar que um álbum é um retrato de uma época, exatamente como ela foi. Sou muito grata por todos os frutos que este primeiro disco gerou, então só guardo muito amor por ele e mais nada.

EB: Vi o show de vocês no Popload Festival e teve uma canção nova (não me lembro o nome, se puder dizer o nome). Teremos novidades também no Lollapalooza? 
Larissa: Se chama "Alfinetes", e é o primeiro single. Sim, sim, esperamos conseguir levar bem mais do que um single de novidade. O show vai ser uma espécie de despedida dessa primeira fase da banda, então estamos preparando algo bem especial!

Larissa em show no Popload Festival/ Foto: Lucas Lima

EB: Falando em show, a apresentação de vocês emana uma energia incrível. Você sente esta força toda que vocês passam em show? O que influencia esta atmosfera?
Larissa: Cada show da Ventre é único porque nós nos permitimos interpretar as músicas de formas diferentes, de acordo com o que sentimos na hora. O lugar, as pessoas e o clima influenciam diretamente nessa atmosfera, claro! A gente só se entrega e vive intensamente a música e tudo de maravilhoso que há em torno dela. Não tem segredo, é a magia da música.

EB: Além da Ventre, você participa de muita coisa na cena independente. Como que é mediar estes diversos trabalhos?
Larissa:  Sim, eu e os meninos participamos de diversos projetos. A gente sempre se incentivou muito nesse sentido, porque acreditamos que quanto mais a gente pratica música e exercita nossa criatividade com outras pessoas e lugares, mais fluente e criativo a gente se torna. É um processo que não acaba, sabe? Como aprender uma língua. Quanto mais você fala, melhor consegue se expressar através dela.

Sempre que possível eu busco participar de algum projeto novo, me juntar com pessoas que me ensinem e me proporcionem experiências novas e engrandecedoras. Eu vivo disso, e não é fácil viver de música no Brasil, né? Então estou sempre aberta. Inclusive a propostas, convites, e isso se estende a qualquer pessoa que esteja lendo isso. Bora trocar conhecimento, criar coisas! É só me mandar um e-mail, tô realmente aberta pra tudo que vier!

Foto: Hannah Carvalho

EB: Vocês já tocaram em diversos festivais. O quanto esta presença em festivais é importante para vocês?
Larissa: Acho que os festivais são uma grande (e deliciosa) peça chave na nossa trajetória. Foi o Coquetel Molotov (Recife) e o Dosol (Natal) que possibilitaram a nossa primeira ida ao nordeste, em uma turnê de 28 dias, por exemplo. Se fossem só pequenos shows, a turnê nunca teria sido possível. E, ao mesmo tempo, foi o nosso show no Bananada, de 2016, que a Ana Garcia (programadora do Coquetel Molotov) viu e decidiu levar para Recife. Ou seja, se não fosse o Mancha (de SP) ter nos levado Goiânia, pra tocar no seu palquinho, dentro do (maravilhoso e gigantesco) Festival Bananada, a gente nunca teria voltado no ano seguinte no palco principal a convite do Fabrício Nobre, e, provavelmente, não teríamos circulado tudo que circulamos. É circulando que se circula, sabe? Indo que se vai.

É, sim, muito importante frequentar como público, conhecer as bandas, ouvir o que há de novo em todos os cantos do nosso país. Os festivais são feitos pra ecoar tudo isso. Não é à toa que os programadores de festivais frequentam os festivais das cidades vizinhas... Por isso eu sempre digo prxs amigxs que perguntam como circular no Brasil: "apenas vá! Não reclame que não te chamam, compre um ingresso e vá!". Eu sou frequentadora assídua de festivais desde que existo, inclusive fui em 5 edições do Lollapalooza, quatro do Bananada, e pretendo voltar esse ano.

Voltar nesses festivais tocando é ver um sonho sendo realizado. E, por último, pensando no mercado da música, são os festivais que movimentam e formam as cenas locais. Historicamente, sempre foi assim. Festivais formam profissionais locais, inspiram artistas locais, e criam um ambiente de profissionais de música. Agora, mais do que nunca, estamos vivendo uma primavera da música brasileira, e isso é diretamente ligado ao surgimento e fortalecimento dos festivais independentes. Que venham muito mais! Que se multipliquem! Viva os festivais de música!

EB: Para a galera que ainda não conhece, por que ver a Ventre no Lollapalooza?
Larissa:  Será um show muito especial pra nós. O fim de um ciclo muito lindo que vivemos, o começo de uma trajetória nova, muita energia a ser trocada. Por isso eu sei que a gente vai estar muito feliz e imerso de cabeça. Estamos preparando um show único e queremos apresentar as músicas novas. Está sendo um desafio fazer caber tudo em tão pouquinho tempo de show, mas faremos o nosso melhor.

Tomara que isso inspire outrxs artistas a seguir o caminho da arte. A música brasileira é muito rica e linda pra ficar fora dos grandes palcos. Temos visto cada vez mais artistas brasileiros nos lineups gringos, e estamos felizes demais de dividir esse palco com amigxs e artistas que admiramos tanto. Serão três dias muito incríveis!

A Ventre se apresenta no dia 24 de março no Lollapalooza.






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