A nova voz feminina ecoa cada vez mais alto na música nacional

BEL por Francisco Costa

Salma Jô (Carne Doce), Duda Brack, Daíra, Mahmundi, Larissa Conforto (Ventre). São tantas mulheres talentosas na música nacional que poderíamos escrever páginas e páginas só citando nomes. Entre abril e julho, somente mulheres foram entrevistadas pelo Eufonia no nosso quadro "Novo Cenário Musical": Laura Petit, Soledad, Flaira Ferro, Fernanda Branco Polse e Jade Baraldo.

Mas nada é por acaso. A figura feminina sempre foi presente na música nacional. Rita Lee, Dolores Duran, Clementina de Jesus. Ainda assim, sempre estiveram em menor número, não só nas vozes, mas também em tudo que ronda o cenário musical, como engenheiras de som, produtoras e até profissionais de imprensa. ( Qual crítica de música você consegue citar sem ser a Ana Maria Bahiana?)

Daíra por Carolina Muait

O espaço para as mulheres na música é tão importante quanto o espaço para os negros nas universidades. Temos uma dívida com elas e esperamos pagar um dia.

“Acho necessário num primeiro momento, o destaque para o ‘feminino’. As mulheres precisam sim da oportunidade e do destaque, para compensar uma história de séculos de submissão e de machismo. E por outro lado, esse jogo está começando a virar. Mas na minha visão tudo isso passa pelo ‘empoderamento’ e quanto mais a mulher se impõe e faz o que gosta, sem medo, mais ela fica livre dessa distinção de gênero. Exceto entre cantores, que é um meio onde é até mais ‘permitido’ e favorável à voz feminina, compositoras e instrumentistas existem em menor número por aí, nos meios de música popular... e por que? Devemos cada vez mais nos questionar, e tocar e compor e também, indicar uma mina. Em todas instâncias, indique uma mulher, e quem sabe um dia essa conta vira”, reflete a cantora Daíra, que acaba de lançar "Amar e Mudar as Coisas", tributo ao Belchior.

Trio Abronca por Fernando Schlaepfer

MPB, rock, pop, as produções são variadas. “Acredito que o que vimos foi uma conscientização de algumas realidades do meio musical que pareciam naturais e não são. Sempre existiram muitas mulheres fazendo música, a pergunta que passou a surgir foi ‘porque não as conhecemos?’. Por qual motivo elas não chegam aos ouvidos e aos palcos tanto quanto os homens? Essa questão traz reflexões muito importantes sobre as formas de se produzir cultura, sobre identificação e representatividade. Me parece que encontramos um ponto de partida, um disparador para as muitas transformações que ainda temos que implementar nesses contextos”, reflete a cantora BEL, que trabalha na divulgação de seu primeiro álbum solo, "Quando Brinca", lançado pela Sagitta Records. Salma Jô por Lucas Lima

Entrevistas: Soledad, Laura Petit, Jade Baraldo, Fernanda Branco Polse e Flaira Ferro


“Ainda falta muito porque, para mim, não basta criar um palco para as mulheres num festival cujo line-up tem 400 homens, ou uma noite onde só toca transgênero em meio a um calendário anual totalmente dominado por homens héteros cis. Não basta continuar alimentando os processos da mesma maneira, tem que se deixar atravessar, tirar da gaveta”, analisa BEL.

Já na cena do rap,as meninas levam seu som cheio de atitude ao topo. É o caso do grupo Rimas & Melodias e do trio Abronca, que lançou o single "Chegando de Assalto" em janeiro deste mês. O papel da mulher no rap é mostrar que temos muita força e coragem pra conseguir o que queremos. Estamos conquistando nosso espaço sem depender de homem nenhum, e isso é incrível”, reflete Jay, rapper do grupo Abronca. “Nem todos os homens são machistas, mas alguns sim, que acham que as minas não têm o mesmo poder que eles no rap. Eles acham que sempre vão estar à nossa frente, só que não! Está vindo um movimento pesado feminino calando a boca de muitos que ainda pensam dessa maneira”, comenta Slick, também integrante do trio.

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