Rita Lee mostrou seu lado sensível e crítico em sua autobiografia




Rita Lee - Uma Autobiografia, lançada em 2016 pela editora Globo, foi uma das melhores publicações do ano e segundo a APCA ( Associação Paulista de Críticos de Arte), a melhor biografia. Não é de se espantar. Você ri, se interessa e se emociona com a leitura, do início ao fim. Rita destaca seu lado emocional e seu apego com a família. Suas passagens com Charles, seu pai, são hilárias. Do meio do livro pro final, este apego com a família mostra uma Rita Lee muito sensível, em especial pela perda dos familiares. Ela se afunda nas "tomações", como descreve, toda vez que perdia algum ente querido. Seu alcoolismo lhe causou uma queda de 15 metros, quase a incapacitando de voltar a cantar. Mesmo com acidente, o vício não se foi, só ficou realmente limpa com o nascimento da neta, e está até hoje.

Louca, claro que a cantora foi. Mas a letra de "Ovelha Negra" não a lhe serve. Suas aventuras musicais começaram sem muitas pretensões, para a família, música era só um hobby. Mas foi então que conheceu "ozmano", Sérgio Dias e Arnaldo Baptista. Namorou Arnaldo e foi praticamente obrigada a se casar com o próprio. Mas não se amaram, e sabiam disto bem antes do casamento forçado. Se divorciaram em rede nacional, no programa da Hebe Camargo, que virou grande amiga de Rita. Ainda assim, Os Mutantes não decolaram na época, e para a cantora, hoje a banda é superestimada, virou "cult". Foi expulsa da banda e, apesar de ter se irritado na época, vê que foi o melhor que tinha pra acontecer.


Seu lado crítico não fica só para os Mutantes. Críticos musicais, imprensa, programas de TV e sua própria música entram em sua lista. Segundo descreve, ela não ouve suas músicas pois só consegue reparar nos erros. Nas entrelinhas conseguiu dar uma alfinetada no Faustão ao elogiar o programa do Ratinho. Segundo ela, o programa do SBT não é visto por bons olhos pelos intelectuais, mas lá foi melhor tratada do que em programas que têm apresentadores que não a deixavam falar enquanto estava no ar.

Destaca também seus desafetos. Arnaldo Baptista entrou na lista quando bateu seu Jeep, que era chamado de Charles em homenagem ao pai. Outro destaque é Ezequiel Neves, produtor musical de Cazuza, que afastava Rita do cantor. Mesmo com as drogas e obstáculos, a música permaneceu. Uma das coisas mais bonitas do livro é a amizade que a cantora firmou com Elis Regina. A cantora gaúcha tinha um grande peso na música nacional na época e foi responsável por intervir na prisão de Rita. Quando a amizade das duas alcançou seu ápice, Elis se foi devido ao seu vício em cocaína, droga que Rita sempre odiou.



Foram muitos anos no palco, e claro que a cantora se cansou. Viu que as turnês se tornaram mais do mesmo e resolveu parar. Segundo ela reuniões ou voltas na idade dela, é coisa de artista falido pra ganhar uma grana e pagar suas fraldas geriátricas. Ainda assim Rita nos deixou uma grande obra, nos fez feliz como ela diz e ainda vai nos fazer muito mais.


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