Opinião: As músicas feitas na periferia refletem no que ela realmente é?


Por: Lucas Lima

Discussões, debates, defesas de partes, acusações de outras e críticas pesadas se intensificaram neste começo de ano por conta do hit "Deu Onda",do MC G15. A música tomou grandes proporções e teve até que ser adaptada para tocar nas rádios e ser divulgada na TV. Mas claro, isso não é de hoje, o funk está aí a todo momento, com diversas músicas e muitas vezes muito mais obscenas do que a dita sensação do verão". O fato é que nem todas as músicas ganham tal dimensão, mas estão lá, e na periferia faz sucesso, afinal foi feito lá e tem identificação com determinado público.

Um dia desses observei uma pichação com a frase "É tão fácil falar coisas tão belas de frente para o mar e de costas para a comunidade". Este é um trecho levemente adaptado( trocaram a palavra favela por comunidade) da música "Zerovinteum", do Planet Hemp. Mas veja como faz sentido, imagine um compositor escrevendo de frente para a favela, agora imagine um morador escrevendo de dentro da própria. Imagino eu que as canções feitas respectivamente de frente para o mar, da favela e de dentro da própria irão soar diferente, cada uma com sua perspectiva.



É claro que as músicas refletem o baixo poder econômico e a ambição de se tornar maior, assim como refletem os erros de português, o baixo conhecimento musical, apologia às drogas e erotização. Esta não é uma defesa a nenhuma música ou estilo, e sim um direcionamento de olhar que temos que ter. Do jeito que vão, as coisas só tendem a piorar, o alcance dessas músicas tendem a ser maiores e o apoio da mídia também. Isto é, vai ficar tudo como está, e música (de verdade) vai continuar sendo coisa de burguês. A forte ação dos críticos musicais sobre as produções têm resultado nulo, estão criticando errado, música também é um efeito de situações sociais (e deveria ser o principal - foquem na base !  é pra lá que vocês têm que olhar!)  Ninguém erra voluntariamente.

É claro que com o advento da Internet você deve pensar que todos têm acesso igualitário a tudo, seja bom ou ruim. Em partes é verdade, mas é verdade também que as coisas hoje em dia são bem mais dinâmicas e muita gente não tem tempo de sair procurando música no Spotify por exemplo. Isto faz com que o ouvinte, principalmente aquele que trabalha longe de casa e ainda tem seus afazeres do lar (o dito cidadão de periferia) escute o que é lhe dado de bandeja, isto é, aquilo que se ouve na rua, na rádio ou na TV.

Para perceber de modo claro, é só dar uma olhada no público presente em shows e onde estão localizadas os locais das apresentações. A música se mostra segmentada pelos espetáculos acontecerem de semana (tarde da noite) , e mesmo com ingressos a baixo custo, em áreas nobres da cidade, como no caso de São Paulo, com as atrações culturais bombando no Jardins, Alto Augusta e afins. Nas periferias rolam os famosos pancadões, e afinal, por que recusar o que vem dali (já que é a única coisa que tem ali). Não venha me dizer que você esperava "canções intelectuais", com arranjos perfeitos da onde nem educação básica existe direito?  A classe média precisa sair um pouco da caixinha.

Observação: Claro que a periferia não se resume ao funk, porém este é o ritmo mais popular e mais acessível a tal população.

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