Resenha: Tom Zé comemora 80 anos com bom humor, novo álbum e crítica política

 Ontem, 09/10, tive o prazer de ver e analisar a apresentação do Tom Zé, no Sesc Pompeia. O cantor tropicalista está lançando seu novo álbum, "Canções Eróticas de Ninar - Urgência Didática", só pelo nome você pode perceber qual o assunto principal do disco. O fato é que fui ao show sem ouvir esse novo trabalho previamente, e assim que cheguei ao local percebi que não era o único, aliás, a maioria dos presentes ainda não tinham comprado Canções Eróticas de Ninar. Poderia ser desgastante apresentar um repertório apenas de inéditas, mas não para o cantor tropicalista, que fez isso de forma agradável, deixando o público com vontade de adquirir o álbum.





 O show começou às 19:10 com a faixa "Sexo". Tom Zé subiu ao palco fazendo bolhas de sabão e, no início, recitando a canção de modo ofegante, levando a sensação de prazer e fantasia para o público. O show foi seguindo em meio a muitos aplausos. Na música "Urgência Didática", Tom começou a dialogar com o público, e foi assim o show inteiro. Olhava descaradamente para as letras das músicas, e quando não estavam por perto , recorria a Jarbas Mariz, que sempre agia com prontidão e dava boas gargalhadas com as histórias que Tom Zé contava. O ápice das gargalhadas foi na canção "Meninas da USP e GV", nela o cantor narra com humor a rivalidade dos dois grupos, obviamente intercalado com o tema do Sexo.

"Moça da USP não gosta
Nem de rede, nem de cama
De tanto viver no mato
Viciou gemer na grama

Antigamente ali por baixo da Avenida Paulista
Tinha um morro a verdejar 
As meninas da GV
Iam lá pra namorar

Ali se encostavam
Não se ouvia nem barulho
Foi assim que se cavou
O túnel 9 de julho"

 Para não se tornar cansativo a apresentação com tantas músicas novas, foram apresentadas três canções de trabalhos anteriores. Em Mulher Navio Negreiro ( Estudando o Pagode, 2005), Tom Zé ajoelhou no meio do palco e logo depois pediu para a banda voltar a música do início, pois ele tinha tomado a atenção da música para ele. Mais gargalhadas foram tomadas pelo público. Vale ressaltar a competência da banda, com destaque para Jarbas, sempre complementando as canções com sua voz e Felipe Alves, que deu base e intensidade no contra-baixo. A clássica Augusta, Angélica e Consolação ( Todos os Olhos, 1973), também foi apresentada. Esta para quebrar o gelo e fazer o público, que apesar de tímido, cantar. Em determinado momento o cantor disse que para surpreender o público, somente levando Picasso ao palco, com a frase aproveitou e fez o trocadilho "Picasso artista e não aumentativo", provocando mais risos aos presentes.

 O cantor deixou o palco após a canção " Cadê Mané?", que destaca o som do hertzé, instrumento criado pelo tropicalista e executado com maestria por Marcelo Blanck. Como de praxe voltou para um bis que foi antecedido com a banda puxando um parabéns para Tom Zé, que estava completando 80 anos. Antes de apresentar a canção que terminaria o show, o compositor contou histórias da ditadura, do tempo em que Caetano e Gil estavam exilados. Foi só mencionar que no mesmo momento do show de sábado, 08/10, ele havia escutado um grito de "Fora Temer",que  o público foi a loucura e então gritos vieram de todos os cantos do teatro. Prato cheio para iniciar a canção Esquerda, Grana e Direita ( Vira Lata na Via Láctea, 2014), que provocou calorosos aplausos quando Jarbas citou:

"Quando o trabalhador cresce na sociedade
E tem a oportunidade de ser protagonista da história
Ele pratica o método do opressor
Porque foi o único método que aprendeu
Então, ele só sabe agir como o opressor
Arrastão de Paulo Freire"

 O show acabou com gosto de quero mais, mas segundo Tom Zé em tom malicioso, há quem tinha outros compromissos. O show "Canções Eróticas de Ninar chega ao Rio de Janeiro no próximo 22 de outubro. Saiba mais sobre o álbum aqui

Banda

Daniel Maia: Violão,Voz
Jarbas Mariz; Viola, percussão, voz
Cristina Carneiro: Teclados, voz
Felipe Alves: Baixo, voz
Rogério Bastos: bateria
Marcelo Blanck: hertzé, berimblanck 



*Infelizmente não fomos autorizados a fotografar



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