Cartola, 108

No dia onze de outubro de mil novecentos e oito nascia no Rio de Janeiro Angenor de Oliveira. Mais popularmente conhecido como Cartola, é até hoje - 108 anos depois - considerado o maior sambista da história da música brasileira.
A concorrência é grande: Noel Rosa, Candeia, Adoniran Barbosa são exemplos de outros que conquistaram o público. Entretanto, o fundador da Estação Primeira de Mangueira tem algo diferente dos demais, que lhe faz ser unânime dentro do gênero.
Creio eu que a forma com a qual ele traduzia todos seus sentimentos em poesia é um dos fatores para isso. Outro é o fato dele realmente parecer sentir o que canta, em contraponto a muitos artistas de hoje em dia, que falam de uma paixão arrasadora e uma decepção amorosa no mesmo tom.
Escutando 'O Sol Nascerá' é possível sentir um clima de desilusão; já 'Preciso Me Encontrar' passa tristeza; 'As Rosas não falam' demonstram o afeto do eu lírico pela amada.
E como não falar de "O mundo É um moinho"? Talvez a o maior sucesso do cantor e regravada por nomes como Beth Carvalho, Ney Matogrosso e Cazuza, a canção é um lindo conselho do cantor para sua sua filha Creuza, que com 16 anos começava a se interessar por alguns rapazes. Relembre:


A letra é também igualmente bela:

"Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés"

Enfim, Cartola é sem sombra de dúvidas um gênio, que sabia manusear as palavras tal qual Michelangelo fazia com a mármore ao esculpir David. Obrigado, Mestre! 

Antes de encerrar, recomendo que escute o clássico álbum de 1974:



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