A mistura urbana e tradicional de Lê Coelho

Hoje em nossa coluna "Novo Cenário Musical" vamos falar de MPB, modernidade, referências urbanas, e muitas outras coisas. Nosso entrevistado é o cantor Lê Coelho, que já tem em seu currículo um álbum solo, "Tuvalu - Uma Histórial Oral do Nosso Tempo", além de trabalhos com os grupos Urubus Malandros e a Banda da Argila. Confira a entrevista:

Foto: Pedro Ivo



EB:   Antes de falar do novo álbum ou outros projetos futuro, vamos começar falando de sua carreira em si. Você participou de um projeto chamado Banda de Argila, que era um trabalho experimental  e gravou um álbum com os Urubus Malandros. O que você adquiriu com esses projetos e leva na bagagem para a carreira solo?
Lê Coelho: São dois grupos muito importantes na minha formação musical e na minha trajetória enquanto compositor, arranjador, intérprete, instrumentista. Aprendi (e sigo aprendendo com os Urubus, que ainda existe) muito. Trabalhos musicalmente muito diferentes, mas que entre si tinham a questão de serem projetos autorais e com concepção de arranjos coletivos e bastante liberdade de experimentar, de arriscar. Então eu descobri muita coisa, testei muita coisa. Isso amplia muito nosso universo musical, e se minha música hoje tem uma identidade, imagino que essas experiências tenham sido fundamentais pra chegar ao som que faço hoje. 



"Eu nunca pertenci a nenhuma tribo específica, sempre fui curioso por várias, tenho o mesmo respeito pelo Raul Seixas, Zeca Pagodinho e Racionais que tenho pelo Tom Jobim, Paulinho da Viola e Caetano"



EB: Você pesquisou a obra de Sérgio Sampaio e Itamar Assumpção. O quanto esses caras influenciam e onde exatamente podemos ver essa influência na sua música?
Lê Coelho: Itamar é um cara que ouvi muito, toquei muito as coisas dele, e Sergio Sampaio conheci um pouco depois, mas foi uma descoberta muito importante, pois é um cara de uma obra muito intensa com a qual tenho bastante identificação. Acho que tudo que um compositor faz é consequência do leque de referências que ele tem, como são duas referência fortes para mim, certamente deve ter algo dos dois na minha música, mas não saberia te dizer exatamente o quê. 

EB: O seu primeiro álbum, “Tuvalu – Uma História Oral do Nosso Tempo”, traz  a conexão de referências urbanas, como o funk, pop e o rock, com ritmos mais tradicionais como o samba.  O próximo álbum vai seguir essa linha?
Lê Coelho: Isso na verdade é uma coisa da minha trajetória. Eu nunca pertenci a nenhuma tribo específica, sempre fui curioso por várias, tenho o mesmo respeito pelo Raul Seixas, Zeca Pagodinho e Racionais que tenho pelo Tom Jobim, Paulinho da Viola e Caetano, por exemplo, e sempre ouvi bastante todos eles, essas conexões são naturais, não é uma coisa pensada, acho sempre estarão no que faço.



EB: Comentei sobre o novo álbum , em que fase ele está exatamente? Já está pronto, está quase lá, gostaria que dissesse um pouco mais sobre e, se já for possível ,me dizer no que ele se assemelha e no que se difere do Tuvalu?
Lê Coelho: Ainda estamos na pré-produção. Gravo em dezembro. A formação é bastante parecida, acho que uma diferença é que o Tuvalu foi um disco pensado e concebido no estúdio, este será um mais trabalhado com banda durante a pré-produção, mais orgânico. 


"Minha opinião é a de que vivemos um momento de produção muito especial, em quantidade e qualidade, que talvez só se compare aos melhores anos da década de 70, e que não está nos veículos de massa"



EB: No Tuvalu tivemos muitas criticas e ironias. Na música nacional, hoje, existem artistas que também fazem esse tipo de narrativa? Se sim, quais?
Lê Coelho: Certamente existem muitos aristas que possuem uma obra reflexiva, crítica. Os parceiros do Meia Dúzia de 3 ou 4 são um bom exemplo, mas tem bastante gente.


Foto: Pedro Ivo

EB: No gancho da pergunta anterior, hoje eu coloco em alguma rádio pra ouvir MPB e escuto pouquíssimos novos músicos. Sempre fica em Caetano, Djavan, Gil, Ana Carolina, e temos bons músicos na área. Você acha que o público está cada vez mais saudosista, ou com os novos meios de se ouvir música, artistas novos foram perdendo espaço na mídia?  Você vê que daqui a 20 anos teremos outras referências musicais? Queria que você desse alguns palpites , nomes que você acha que tenha potencial para se destacar , se tornar atemporal.
Lê Coelho: Eu acho que já temos hoje outras referências. O velho modelo de gravadora e distribuição em massa pelas rádios ainda existe e é muito forte, sem dúvida, e pra entrar nisso é necessário um aporte financeiro, um investimento, que o músico independente não possui. Dizer quanto tempo isso ainda vai durar eu não sei, mas enfraqueceu bastante nos últimos 20 anos. Fora desse cenário, existem canais de produção e distribuição e gente interessada mantendo um circuito que já lançou diversos nomes que vão ficar e já são referências atemporais, como Meta Meta, Ava Rocha, Criolo, Tulipa Ruiz, O Terno, Siba... pra citar alguns poucos que possuem bastante relevância nacional e internacional. Semanas ou meses atrás, inclusive, fizeram um festival na frança só com música brasileira, somente com artistas desse circuito independente, e alguns desses nomes estavam lá. O mundo inteiro já sacou isso, e tem bastante jornalista e difusores culturais por aqui procurando dar espaço pra essa galera. O número é extenso e minha opinião é a de que vivemos um momento de produção muito especial, em quantidade e qualidade, que talvez só se compare aos melhores anos da década de 70, e que não está nos veículos de massa.


Lê Coelho nas Redes Sociais

Site Oficial: http://www.lecoelho.com/

Agradecemos a Lê Coelho e assessoria pela atenção!


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